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Cortadores de cana migrantes buscam melhorar de vida em Tarabai Mesmo sem usina, cidade concentra muitos trabalhadores, vindos principalmente das regiões norte e nordeste
16/01/2013 às 11:24

Cortadores de cana migrantes buscam melhorar de vida em Tarabai

Mesmo sem usina, cidade concentra muitos trabalhadores, vindos principalmente das regiões norte e nordeste

Heloise Hamada
Dos cortadores de cana que moram em Tarabai, 74 são migrantes principalmente das regiões norte e nordeste(Maysa Pontalti/Cedida)

Maranhão, Alagoas, Piauí, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Paraná. São desses Estados brasileiros que 74 cortadores de cana-de-açúcar que moram em Tarabai vieram. Mesmo sem ter usinas, a cidade concentra parte dos trabalhadores, que enxergam no Oeste Paulista, considerado o segundo maior produtor de álcool do país, segundo a União dos Produtores de Bioenergia (UDOP), uma forma de mudar de vida.

Esses dados são provenientes de um estudo realizado por alunos e professores de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente (Facopp), feito em 2012, que são válidos ressaltar nesta quarta-feira (16), Dia do Cortador de Cana-de-Açúcar.

Conforme a UDOP, a região concentra 16 usinas, que geram aproximadamente 2,5 bilhões de litros de etanol. Com pouco mais de 6.600 habitantes, Tarabai possui quase 700 pessoas consideradas como população flutuante por equipes de Estratégia de Saúde da Família do município.

A partir daí, os pesquisadores identificaram inicialmente um grupo de 309 cortadores morando na cidade, destes 74 foram confirmados como migrantes, ou seja, não são originários da cidade. Eles foram a peça central do estudo.

Dos cortadores migrantes estudados, os universitários verificaram que 91% são do sexo masculino, apenas 5% completaram o ensino médio, 53% têm idades entre 21 e 29 anos, 31% vieram do Maranhão, 69% das pessoas foram incentivadas a migrar para a região por familiares, 92% moram em casas alugadas.

Desse grupo, 70% trabalham em usina localizada em Sandovalina e 30% em Narandiba. A justificativa por morar em Tarabai e não nos municípios sedes é o valor do aluguel, que custa em torno de R$ 300, sendo mais baratos que em outras cidades.

Esse cenário traz duas vertentes, sobrecarga em Tarabai com gastos principalmente na saúde, e lucro para o comércio.

A procura pelo sistema de saúde é proveniente do esforço que o corte da cana exige, além dos problemas respiratórios resultantes do clima seco e contato com a fuligem, como aponta a fisioterapeuta Aline Duarte Ferreira Ceccato.

De acordo com a ex-diretora da Divisão Municipal de Saúde, Marize Ocolati Vitale, em entrevista aos alunos, a sobrecarga ocorre, “pois os valores repassados ao município são calculados com base no censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e como este tem dificuldade em registrar a população flutuante, a verba municipal permanece abaixo da necessária.”

Entretanto, os moradores flutuantes movimentam a economia da cidade, onde há pessoas que trabalham com o transporte de trabalhadores, supermercados que vendem cestas básicas e comerciantes em geral, que os consideram “gente honesta”.

“Com este trabalho, queremos mostrar essa realidade pouco divulgada e conhecida por todos. O cortador de cana, muitas vezes sofre discriminação por sua profissão, mas eles buscam, como outra pessoa qualquer, sobreviver, criar seus filhos, e o corte de cana é sua única opção”, salienta Ariane Viana, uma das pesquisadoras.

Além dela, Dayane Machado, Italo Antunes, Maysa Pontalti e Vanessa Tomáz foram responsáveis pela pesquisa, orientados pelos professores Roberto Mancuzo Junior e Thaisa Bacco.